Peço licença para parabenizar à escola IPE, especialmente às professoras Luzia Antônia Coelho Parteli, Sandra Davel e ao professor Nilson Gonçalves Gomes pela iniciativa de fazer publicar o livro de poesias de seus alunos do 5º ano, intitulado “Imaginar/Sentir”.
Não sei se foi a primeira vez ou se é ato contínuo da escola. Só sei que gostei muito. Não apenas pelo resultado final da publicação, mas pelas indispensáveis incursões nas pesquisas a que os alunos são estimulados.
Não receio dizer que por causa de vocês vi Lucas, o meu guri, pesquisando, acessando a internet, comparando, planejando… Vou parar por aqui para não ser acusado de gerundismo.
Considero o ato de pesquisar o mais importante de todo o processo de aprendizagem. É óbvio que a pesquisa educacional (pedagógica) se faz com leitura, mas estou diferenciando, neste momento, a ação de pesquisar do ato mecânico de ler.
É a pesquisa que exercita o cérebro. É por meio da pesquisa que o aluno aprende a refletir, meditar, cogitar, concatenar ideias, raciocinar, comparar, imaginar, planejar.
Já quando lemos – vou generalizar –, papagueamos os pensamentos dos outros. Quando lemos, segundo Schopenhauer, outra pessoa pensa por nós. Só repetimos o processo mental.
Ler é importantíssimo, sem dúvida; ter prazer com a leitura então, é maravilhoso. Mas, como ensina Rubem Alves, a arte está em pensar e não na quantidade de livros lidos.
Por isso, rendo homenagens ao IPE e aos professores que colocam o nosso maior tesouro para pesquisar e pensar… Parabéns e muito obrigado a todos.
Bem, mas como não poderia deixar de ser, tem sempre uma presepada. O meu guri, Lucas, convidou-me para a tarde de autógrafo do livro (Imaginar/Sentir):
– Pai, o senhor vai participa lá na escola do lançamento do meu livro?
– Claro, meu filho. É uma honra para mim.
– Pai, o senhor compra um livro meu?
– Claro, meu filho. Com todo o prazer. Quanto custa o livro?
– Vinte e cinco reais
– Quanto?
– Vinte e cinco – repetiu ele.
– Caraca, meu! Tomei o maior susto agora… Entendi você falar vinte e cinco reais.
– É isso mesmo, pai. Vinte e cinco reais.
– Que isso! Não pode ser. Lucas, meu “fio”, o livro de Jorge Amado custa vinte e dois.
No que ele me respondeu, afirmando:
– Pai, mas quem é Jorge Amado…?
11/12/2010
Extraído do livro O livro Proibido, de Carlos Sapavini, Ed. Cachoeiro Cult.